Os efeitos das mudanças climáticas
Investigar os efeitos das mudanças climáticas nas populações de tartarugas marinhas do Caribe e Atlântico Ocidental, utilizando a de pente (Eretmochelys imbricata) como indicador. Este foi o objetivo e tema central do workshop realizado mês passado em Miami/EUA, organizado pelo WWF/América Central e MacArthur Foundation. O encontro contou com a participação de pesquisadores e especialistas de diversos países, inclusive o Brasil, representado pelo Tamar, com o apoio da AVINA-Representação Marinho-Costeira e Hídrica do Brasil (RMCH-BR). Eles discutiram e recomendaram vários estudos para minimizar possíveis conseqüências negativas. Sugeriram, por exemplo, o manejo adaptativo e a adoção de políticas públicas, como ampliação de unidades de conservação marinhas e reintrodução de vegetação nas dunas.
A tartaruga de pente ocupa uma grande parte dos habitats tropicais, desde a área terrestre até a zona de corais e mar aberto, sendo influenciada pela temperatura em todos os estágios de vida. Para mitigar os impactos das alterações do clima nesta espécie, informações relevantes necessitam ser coletadas e identificadas. Pesquisas indicam que as temperaturas globais poderão aumentar cerca de 2ºC a 5ºC no próximo século. Seria o suficiente, por exemplo, para alterar a proporção natural de machos e fêmeas, nas espécies em que o sexo é determinado pela temperatura do ninho, durante a incubação dos ovos.
Também foram abordados outros efeitos como a perda de áreas para reprodução das tartarugas, devido ao aumento do nível do mar. Projeções futuras indicam uma diferença de 0,4 a 1,4 m. As praias são particularmente vulneráveis. Nas áreas de alimentação, as alterações são mais visíveis nos recifes de corais. Ciclos reprodutivos e migratórios poderão ser afetados, uma vez que mudanças das correntes marinhas também estão associadas à temperatura dos oceanos.