Maricultura Auto Sustentável - Ribeirão da Ilha - Florianópolis
Em Florianópolis a prática da maricultura surge na década de 90 como uma alternativa de ocupação e renda para o processo de exclusão dos pescadores que se agravava devido a escassez da pescaria. Vários setores da sociedade nesta cidade se mobilizaram para mudar esta grave situação com a implantação da maricultura, e desse modo Ademir se tornou uma 'peça-chave' para difundi-la entre os pescadores. Segundo lembra o líder, inicialmente quando a maioria das pessoas não acreditava nesta novidade, costumavam dizer, "tais tolos, criar marisco em corda? Criar ostra em cesto? Era motivo de piada!".
Como não havia uma associação de maricultores formada, os órgãos governamentais e a universidade contaram com a colaboração do líder como estratégia de comunicação entre a comunidade e os "doutores". Primeiro, pela sua facilidade e simplicidade em se comunicar tanto com os pescadores, quanto com os técnicos, transmitindo as informações de forma generosa e sincera. Segundo, pela sua grande capacidade de aprendizado, apesar do líder ter pouco tempo de estudo, conseqüência da sua mente aberta a inovações, e principalmente pela sua preocupação com a comunidade, quando acredita que todos deverão ser beneficiados com essa nova atividade econômica. Ademir se tornou a 'ponte' necessária para divulgar os procedimentos, técnicas de manejo e comercialização de mariscos de forma sustentável, que objetiva manter o ilhéu e pescador na sua localidade nativa. Nos últimos anos, Ademir se tornou também uma referência nacional, como exemplo de seu pioneirismo em acreditar na maricultura, promover o associativismo e por divulgar as técnicas de manejo para buscar a melhor produtividade e qualidade do marisco.
Liderança voltada ao associativismo: AMASI e Cooperilha
Após a criação da associação de maricultores (AMASI) que foi iniciada em sua casa a beira mar, Ademir juntamente com os maricultores nativos da região deverão enfrentar um novo e maior desafio pela frente, que é a consolidação da cooperativa de maricultores, a Cooperilha. Esta última, mesmo fundada desde 2001 com apoio governamental, ainda não se efetivou como uma unidade de beneficiamento para escoar a produção local, adotando os critérios técnicos de qualidade exigidos pelo selo federal, e assim não perder mercado dos 'atravessadores' e não nativos que foram atraídos pela propaganda em mídia nacional dessa atividade lucrativa.
A maricultura praticada e a preservação do meio ambiente
A maricultura pode ser extremamente danosa ao meio ambiente. A carcinocultura e a piscicultura, geralmente em estuários, seja a criação em tanques fechados ou em gaiolas, envolve alimentação artificial contendo fármacos e hormônios, os quais causam disruptura às espécies naturais e constituem uma das principais ameaças a costa brasileira. Geralmente utilizam-se espécies exóticas ao ambiente, mais resistentes a bactérias e virus, e que, ao escaparem para o meio ambiente, tornam-se a espécie dominante, exterminando espécies nativas, seja por competição ou eja por veicularem microorganismos danosos as outras espécies.
A cultura de espécies nativas de mariscos em cordas e redes não envolvem alimentação com ração. Desde que praticada em densidade não muito intensa, para evitar o aumento excessivo do teor de matéria orgânica dos dejetos, é sustentável e não afetam o meio ambiente. Esta é a maricultura praticada por Ademir e os associados da AMASI. Embora a espécie de ostra cultivada em Florianópolis seja do pacífico, a espécie Crassostrea gigas,esta é muito bem adaptada ao ecosistema das águas frias do sul do país e não constitue ameaça às espécies naturais locais.
Para aprimorar a produção adequada de mariscos e ostras em Florianópolis, a Prefeitura Municipal propiciou o treinamento de alguns maricultures na França por 30 dias. Ademir foi um dos selecionados. De lá Ademir trouxe não apenas novos conhecimentos das práticas de maricultura sustentável como também técnicas para melhoria da qualidade do produto, como por exemplo uma máquina de beneficiamento de ostra que foi instalada na prefeitura, e que já foi copiada por Ademir para seu próprio uso.
Por outro lado. como a maricultura passou a ser uma importante fonte de renda local, e a qualidade do produto depende da boa qualidade das águas, os próprios maricultores promovem e denunciam qualquer atividade que promova alguma degradação ambiental na região, pois precisam manter a qualidade da água para garantir o mercado consumidor. Ademir reforça que “antes o pescador não tinha visão que jogar dejetos na água prejudicava tanto a natureza, e o poder público não promovia educação ambiental, que a atividade de maricultura reforçou, e agora é o maricultor quem fiscaliza, pois pode prejudicar sua atividade".
Para maiores informações sobre o projeto, contactar:
Ademir Dario - ademirostra@uol.com.br
Tel.: (48) 3337-0086